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E um dia qualquer vou me deitar,
repousar meu corpo cansado em um pequeno lugar,
vou, para onde quiserem me levar.
Apenas um endereço qualquer,
com um numero qualquer,
de uma quadra qualquer.
Nada maior ou menor, mais largo, ou mais profundo
Serei igual a todos os repousantes destes mundo.
Meu destino?
Não resolvo mais não...
Em quatro alças outros decidirão.
A pá de terra que encerra a vida,
enterrará minhas memórias, minhas glórias,
erros, fracassos, planos e desenganos.
Depois da última flor lançada,
todos voltarão para suas moradas
e continuarão suas vidas, sem saberem
em que dia deitarão seus corpos ao chão.
Partidas,
todos nós as teremos sem data marcada,
para tão grande encerramento de nossas vidas.
Cabendo apenas um pedacinho de terra
como patrimônio do corpo sem vida
Realidade...
Me ensina vida como construir um tesouro sólido,
que eu possa ao partir levando comigo
o que a terra jamais irá consumir.
Me ensina aqui deixar, meus despojos respeitados.
Que cada flor lançada
em cima de meu corpo inerte, como ultima homenagem
possa ser atirada por mãos que me amaram,
me compreenderam e me perdoaram nesta caminhada.
Que a continuidade de meu espírito seja repousante.
Quando vieres morte,
Deixe um sorriso em meu semblante!
Cora Maria
10/01/2003
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