Surgistes em minha vida
me convidando a viver um sonho,
que já sabíamos impossível.
Tentei resistir, cercastes os meus passos.

Na minha carência te segui.
Conheci o amor, e me entreguei.
O melhor de mim te ofertei.

Arrisquei minha identidade
diante da sociedade, pelo nosso amor
Protegendo o seu nome
em todas as minhas ações.
Intensos momentos breves,
pelo muito que meu amor exigia.
Porém a felicidade
passava por mim, e eu não sabia...

Hoje, sem ti apenas te abraço em sonhos,
Nada e ninguém mais
poderá preencher o vazio que me deixastes
Se eu soubesse enquanto te tinha por perto,
que hoje meus dias seriam de intenso inverno,
teria me arriscado mais,
teria procurado te ter mais, muito mais...

Teria te beijado mais,
me doado mais,
dito todas as palavras
que calei quando o peito explodia de amor.
Nesta inutilidade da vida que é estar sem ti
Neste grande blefe que é viver,
estou cumprindo
apenas um papel de um ser infeliz...

Talvez um dia em outros braços, e abraços
eu consiga me envolver,
mentindo a mim mesma.
Sabendo que ninguém mais
poderá me devolver
tudo o que em ti encontrei

Inútil vida...
Grande amor, para tão pouco dispor.
Inútil vida sem sentido,
não faço mais questão
de nome, nem de sobrenome,
SOU NÔMADE...

Explode meu coração,
arrebenta minha ilusão
tudo, tanto faz,
Hoje sou nada mais
do que um corpo sem alma, sem sonhos.
Que me pisem, que me leve o vento,
sou pó da estrada
que me consuma o fogo,
sou resto, sou nada...
Mulher qualquer, mulher mutilada,
perdida em labirintos

Ficção, desilusão,

Nada mais...

Cora Maria
11/11/2002

 

 

 

 

 


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