Sou tudo dentro do nada.
Sou carta sem resposta
Sou amor intenso
sem ter a quem tocar.
Sou apenas a voz que grita amar
e ninguém para escutar...

Sou calor sem corpo para encostar.
Sou euforia em cama vazia.
Sou hospedeira da terra passageira
Sou viajante sem direção
levada a lugar algum.

Sou alma descalça, nua, desconexa,
apenas residente de mim mesma.
Nem abstrata, nem concreta
Sou desencontro,
Via de contramão

Sou como livro abandonado
em qualquer capítulo
de uma história sem fim...

Sou nada dentro de um todo.

Tudo, e ao mesmo tempo nada...


Cora Maria

 

 

 

 

 


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