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"Quando o homem aprender a respeitar
até o menor ser da criação,
seja animal ou vegetal,
ninguém precisará ensiná-lo
a amar seu semelhante."
(Albert Schweitzer ~*~ Nobel da Paz/1952)

Ouço um cão aos gritos,
olho pela janela e vejo um automóvel
atropelando um cão abandonado
dentro da pista de um posto de gasolina.
O condutor do veículo, onde estava ficou,
esperando seu carro ser abastecido
como se nada tivesse acontecido,
alheio aos gemidos do cão....
Um funcionário do posto em seguida,
passa a chutar o cão atropelado
até retirá-lo da pista
onde incomodava os clientes.
Chutava-o assim como se chuta
uma lata qualquer no meio do caminho,
o cão mais alto soltava seus urros de dor,
deixando claro a dor do acidente
junto a violência...
Eu presenciei a cena,
sem acreditar no que viam meus olhos.
O cão foi empurrado aos chutes
cerca de uns cinco metros até a grama,
e lá ficou deitado ao sol ardente do dia.
O gemidos de dor intensa
não incomodava a ninguém que ali passava.
Liguei de imediato para algumas Clínicas Veterinárias,
explicando a agonia do animal,
pedindo auxilio, me propondo a levar o cão
para que o socorressem.
Auxilio negado, dizendo alguns
estar com muitos cães para atendimento
e sem lugar para mantê-lo até sua recuperação.
Os gemidos de dor do animal
adentravam minha casa
Meu pranto rolou,
indignada pela indiferença dos homens
em relação a estes pequenos seres sem defesa,
violentados, ignorados, até na maior hora de dor.
Continuei na tentativa de socorro, sem sucesso.
Pedi auxilio a uma amiga
que continuou este trabalho por mim
junto a veterinários,
o problema todo estava
em alguém querer atender o animal sem dono
e mantê-lo em sua responsabilidade.
Um senhor foi até o cão,
pegando-o ao colo e colocando-o mais a sombra.
Cheguei até o cão com um analgésico
na tentativa de aliviar a forte dor
que já se propagava
por quase uma hora ininterruptamente.
Este senhor, que abrigou o cão à sombra,
em sua humildade olhava o animal
com piedade sem saber o que fazer
Argumentou: Acho que vou passar
água com sal no corpinho dele,
quem sabe melhora.
Neste momento o proprietário do posto
se aproxima e pede a este senhor,
se pode fazer o favor de sacrificar o cão
terminando assim rapidamente
com a agonia do animal.
O senhor Respondeu: Jamais...
Nunca dei fim na vida de um cão,
e não será este o primeiro.
Demos o analgésico,
voltei para casa na esperança
de ainda acontecer um socorro
para tão frágil ser.
O cão em desespero de dor,
ou talvez para se abrigar
de mais possíveis violências,
rastejou e procurou um esconderijo
entre algumas madeiras,
ou quem sabe teria pressentido
a intenção de alguém tirar-lhe a vida?
Quem sabe?
Passado algum tempo,
minha amiga me diz:
Acho que conseguimos alguém,
aguarde mais uns instantes.
O abençoado médico veterinário,
entrou em contacto pedindo o endereço correto
e que eu o encontrasse no local,
chegando em minutos
Quando o cão foi entregue em suas mãos,
eu vi todo amor acontecer.
Com muito carinho o médico o pegou
ajeitando-o em seu automóvel e se foi .
O olhar do cão em confiança
nas mãos do médico me emocionou,
sabia que seria socorrido,
sentiu de imediato o amigo,
e seu gemido foi diminuindo.
Homem que honra e ama
a profissão que abraçou,
que faz por amor!
Deus te Abençoe Doutor.
Homem doação!
Homem irmão!
Seu nome, Geraldo Bernardes
Médico Veterinário.
Modelo de um lindo trabalho de amor!
Homem que não mede o esforço
na ação para salvar um cão.
Deus te abençoe Dr. Geraldo!
Este cão atropelado,
chutado, desprezado, através de ti
receberá um tratamento digno de respeito.
Obrigada Meu Deus,
por ouvir meu coração na aflição.
Obrigada por direcionar a favor
deste mísero cão
um irmão que respeita a tua criação.
Cora Maria
04/01/2003
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